A Disney brasileira fica no meio do cerrado

Inspirado no complexo americano, o resort Rio Quente é o hotel que mais fatura no País

Cravados no centro do Brasil, em Rio Quente, a 170 quilômetros de Goiânia, 18 compressores trazidos da Escócia produzem nove tipos de ondas numa das maiores praias artificiais do mundo. O “mar” ali está envolto por cerrado e a “linha do horizonte”, a 80 metros do guarda-sol.

A invenção inaugurada em 2008 custou R$ 13 milhões e é uma demonstração de ousadia do mais bem-sucedido empreendimento hoteleiro do País, o Rio Quente Resort. No ano passado, o complexo de sete hotéis e um parque aquático recebeu 1,5 milhão de clientes – é mais da metade do número de turistas que visitaram o Ceará em 2009.

O Rio Quente fechou o ano com um faturamento de R$ 220 milhões e uma margem de lucro de 20%, enquanto seus pares têm amargado prejuízo. O complexo virou referência no mercado. Primeiro porque conseguiu prosperar num lugar sem infraestrutura. E segundo porque adotou um modelo que pode ser chamado de autossustentável, tamanha é a intensidade com que as atividades se complementam.

Desde 1979, o resort é controlado pelos grupos Algar, de Uberlândia, e Gebepar, de Goiânia. As holdings atuam nos setores de telecomunicação, agribusiness, serviços e turismo. “Não temos a visão romântica da hotelaria”, diz Francisco Costa Neto, um dos presidentes do Rio Quente. Ele é do Gebepar e divide a função com um representante da Algar. Tudo foi planejado com foco em resultado e lucro. “Eles tiveram de se virar para conquistar espaço. Não podiam ficar esperando o hóspede chegar”, diz Alexandre Zubaran, ex-presidente do Resort Costa do Sauípe, na Bahia, que admite já ter copiado estratégias do concorrente.

Sem voos regulares para o aeroporto de Caldas Novas, o grupo criou sua própria operadora, a Valetur. A empresa freta 450 voos por ano e já é a segunda maior cliente da TAM, depois da CVC. Ao criar uma operadora própria, o resort resolveu também outro problema: o da sazonalidade. Eles se vendem o ano inteiro e não disputam espaço com outros destinos.

Clube de férias. Para garantir altas taxas de ocupação, o resort apostou no sistema de time share ou férias compartilhadas, que lhe rendeu receita de R$ 75 milhões em 2009. Com 14 mil famílias associadas, eles são os que mais oferecem o serviço no País. Clientes compram uma semana de hospedagem por ano e podem usufruí-la no resort ou em outro hotel conveniado. Quem gerencia o intercâmbio é a multinacional RCI, com mais de 4,5 mil estabelecimentos conveniados no mundo. “No Brasil, o Rio Quente representa 25% do nosso negócio”, diz Alejandro Moreno, diretor da empresa no País.

Até 2013, os donos vão investir R$ 138 milhões na ampliação do complexo. Parte do recurso irá para a construção de dois novos hotéis, com 580 apartamentos. Eles também querem erguer uma vila noturna de entretenimento. Para conduzir o projeto, trouxeram de Orlando um mineiro que por 20 anos foi executivo da Disney. “Eles são a nossa inspiração. Queremos ser a Disney brasileira”, diz Costa Neto, presidente do Rio Quente.

Colaboração: O Estado de São Paulo, texto Naiana Oscar

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